Plataforma para a Jornada Mundial da recusa da pobreza
"Onde os Homens estão condenados a viver na miséria, aí os Direitos Humanos são violados. Unir-se para os fazer respeitar é um dever sagrado." Padre Joseph Wresinski, 17 de Outubro 1987 - Trocadéro - ParisAntes da leitura dos príncipios inscritos nesta plataforma, aconselhamos a leitura do artigo “História do dia 17 de Outubro”.
Hoje, o comité para a Jornada Mundial da recusa da pobreza vem pedir a todos os que desejam comemorar este dia que façam uma adesão clara aos seguintes príncipios que constituem uma Carta deontológica comum:
1. Para que a história e o espírito do dia sejam respeitados propõe-se:
Recordar a história deste dia, criado por iniciativa dos mais pobres, a partir de documentos, de apelos e de testemunhos.
Honrar as vítimas da miséria lendo o texto da Laje Comemorativa, assim como as “Estrofes à Glória do Quarto Mundo de todos os tempos” e guardando um momento de silêncio após a leitura dos mesmos.
Reafirmar a necessidade de continuar a procurar os que não puderam vir e os que ignoram a existência deste dia, por causa da extrema pobreza em que vivem.
Organizar o evento como um dia de unidade e paz, durante o qual todos se reúnem à volta dos mais pobres, à volta de todos os que através do mundo são as primeiras vítimas da fome, da violência e da miséria.
Pôr em evidência, durante este dia, que as pessoas e as famílias vivendo na extrema pobreza são os primeiros a estar interessados na Defensa dos Direitos Humanos. Deve-se,pois, promover a sua participação activa, fazendo das suas declarações e testemunhos o centro de todas as reuniões e iniciativas a realizar durante o dia. Deve-se, pois, proporcionar espaços, que permitam uma autêntica participação dos mais pobres, das pessoas engajadas junto das comunidades muito pobres e dos outros cidadãos que, de algum modo, se sentem empenhados na luta contra a pobreza.
Comemorar a Jornada Mundial nos lugares onde a história da Humanidade e a das Nações são evocadas com dignidade, para aí introduzir a história ignorada dos mais pobres. Lugares como, por exemplo, a Laje Comemorativa de Lisboa. A comemoração também pode ser feita nos próprios locais de miséria onde vivem as famílias.
Os mais pobres do mundo encontram-se forçados a viver na humilhação e na vergonha. A Jornada Mundial da recusa da miséria deve permitir-lhes demonstrar a sua dignidade, para que não necessitem mais das esmolas tanto públicas como privadas. Sendo assim, seria descabido organizar distribuições deste tipo para comemorar a Jornada.
2. Para que todos os cidadãos e organizações se sintam chamados a juntarem-se numa expressão comum da recusa da extrema pobreza, propomos:
Fazer com que as crianças e os jovens conheçam os Direitos Humanos e a luta contra a extrema pobreza implicando o seu meio escolar, a inprensa e os movimentos juvenis.
Fazer com que os grupos filosóficos ou religiosos procurem reunir-se à volta dos mais pobres e pô-los no centro de suas filosofias, projectos e orações.
Fazer com que os vários grupos representativos da sociedade civil de cada Nação (associações, sindicatos, meios de comunicação...) se empenhem e participem, num clima de mútuo respeito, pondo de lado toda a espécie de oportunismo publicitário.
Procurar o contributo e a ajuda da comunidade nacional e internacional. Propor aos governos locais, nacionais e internacionais a oportunidade de manifestarem a sua solidariedade, sem transformarem a Jornada numa plataforma para fazerem a promoção de pessoas ou de programas políticos.
Permitir a todos os cidadãos que manifestem a sua solidariedade e fraternidade renovando o seu compromisso, através de um gesto significativo que tenha em linha de conta a cultura e as tradições do país e que respeite, ao mesmo tempo, o espírito da Jornada.
Pedimos aos organizadores desta Jornada que ponham o maior esmero na celabração deste dia, de maneira a que todos os acontecimentos se realizem dentro de um profundo respeito pelas pessoas que estão na sua origem: os mais pobres.










